Por Dra Letícia Maia – Oftalmologista especialista em Oftalmopediatria e Estrabismo

O estrabismo infantil, conhecido como “olho torto”, é uma condição comum que pode comprometer o desenvolvimento da visão da criança.
Quando não tratado precocemente, pode levar à ambliopia (olho preguiçoso) e até perda visual permanente.
Por isso, reconhecer os sinais e buscar avaliação especializada o quanto antes faz toda a diferença.

Quem sou eu?
Sou médica oftalmologista formada pela PUC-GO, com residência no Hospital de Base do Distrito Federal. Tenho especialização (fellowship) em oftalmopediatria, estrabismo e neuro-oftalmologia pela FRAO.
Ao longo da minha formação, escolhi me dedicar a áreas que exigem atenção cuidadosa e olhar individualizado, especialmente no atendimento de crianças e em condições que envolvem o sistema visual de forma mais complexa.
Acredito em um atendimento próximo, humano e personalizado, sempre buscando oferecer segurança, clareza e o melhor cuidado para cada paciente.
Como a visão normal se desenvolve
Nos primeiros anos de vida, o sistema visual está em pleno desenvolvimento. Para que a visão binocular — aquela que permite noção de profundidade — se estabeleça adequadamente, é essencial que ambos os olhos estejam alinhados e enviem imagens semelhantes ao cérebro.
Quando há desalinhamento, o cérebro da criança pode “ignorar” a imagem do olho desviado como forma de evitar visão dupla. Esse mecanismo adaptativo, no entanto, pode levar a uma condição chamada ambliopia, em que há redução da acuidade visual de um dos olhos.
Principais tipos de estrabismo infantil
O estrabismo pode se manifestar de diferentes formas, sendo as mais comuns:
- Esotropia: desvio de um ou ambos os olhos para dentro
- Exotropia: desvio para fora, frequentemente intermitente
- Hipertropia: desvio para cima
- Hipotropia: desvio para baixo
Alguns casos aparecem nos primeiros meses de vida, enquanto outros surgem mais tardiamente, especialmente em fases de maior demanda visual.
Quais são as causas?
A origem do estrabismo infantil é multifatorial. Entre os principais fatores associados, destacam-se:
- Alterações no controle neuromuscular dos movimentos oculares
- Erros refrativos, especialmente hipermetropia elevada
- Predisposição genética
- Condições neurológicas ou sistêmicas
É importante ressaltar que, em muitos casos, não há uma causa única identificável.
Sinais de alerta
Pais e cuidadores devem estar atentos a alguns sinais que podem indicar estrabismo:
- Olhos desalinhados de forma constante ou intermitente
- Fechamento de um dos olhos em ambientes claros
- Inclinação frequente da cabeça
- Dificuldade de foco ou aparente desatenção visual
A identificação precoce é fundamental para melhores resultados no tratamento.
⚠️ Importante: o estrabismo não tratado pode causar perda visual permanente. Quanto mais cedo iniciar o tratamento, maiores são as chances de recuperação.
Quando iniciar o tratamento?
A literatura científica é consistente ao mostrar que o tratamento precoce está diretamente relacionado a melhores desfechos visuais. Idealmente, qualquer suspeita deve ser avaliada ainda nos primeiros anos de vida.
O manejo depende da causa e do tipo de estrabismo, podendo incluir:
- Correção óptica com óculos
- Terapia oclusiva (tampão) para tratar ambliopia
- Cirurgia para alinhamento ocular
A abordagem é individualizada e frequentemente envolve combinação de estratégias.
Estrabismo tem cura?
Em muitos casos, é possível obter alinhamento ocular satisfatório e bom desenvolvimento visual, especialmente quando o diagnóstico é precoce e o tratamento seguido adequadamente.
Mais do que apenas alinhar os olhos, o objetivo do tratamento é promover visão funcional, binocularidade e qualidade de vida.
A importância do acompanhamento especializado
Se você percebe qualquer desalinhamento nos olhos do seu filho, não espere.
O diagnóstico precoce pode evitar prejuízos permanentes na visão.
👉 Agende uma avaliação especializada.
Dúvidas frequentes sobre estrabismo infantil
Estrabismo infantil tem cura?
Sim, principalmente quando tratado precocemente.
Com quantos anos tratar?
O ideal é avaliar o quanto antes, inclusive em bebês.
É normal bebê ter olho torto?
Em alguns casos pode ser transitório, mas deve sempre ser avaliado.
Quando é necessária cirurgia?
Quando outras formas de tratamento não corrigem o alinhamento.
